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title: "Indicadores de desempenho em logística: quais medir e como"
description: "Custo, prazo, pedido e estoque: os indicadores de desempenho em logística que valem o painel, com fórmula e o critério para escolher quantos acompanhar."
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# Conheça os indicadores de desempenho em logística

Todo gerente de logística conhece a sigla OTIF, sabe calcular lead time e já ouviu falar de fill rate. Não é por falta de definição que a reunião mensal trava. Trava porque os indicadores de desempenho em logística que chegam à mesa foram montados numa planilha — com a data de entrega que a transportadora informou por e-mail, um custo de frete copiado da fatura sem conferir o CTe e um prazo que foi combinado por telefone. Quando alguém pergunta "de onde saiu esse 91%?", a resposta honesta é "de um cruzamento que eu mesmo fiz e não sei se bate".

É uma frase que embarcadores repetem com frequência, quase sempre nesta forma: *"tenho meta de OTIF, mas não confio no número que eu mesmo gero"*. As variações dizem a mesma coisa por outros ângulos: "não tenho como conferir se as transportadoras estão me cobrando o valor certo"; "sei quanto gastei no total, mas não onde"; "descubro que atrasou quando o cliente reclama".

Este artigo é um panorama dos indicadores de desempenho logístico que sustentam a operação de um embarcador, organizados nas quatro frentes em que o dinheiro e o serviço se decidem: **custo, pedido, estoque e transporte**. Para cada indicador, a fórmula e um exemplo com números que você consegue replicar com os seus volumes. Antes da lista, o critério para escolher quantos acompanhar — e, nos indicadores que dependem da transportadora, de onde o dado precisa vir para o número ser confiável. É o passo que fica de fora da maioria dos textos sobre o tema, e é onde a maioria das operações erra.

## O que são indicadores de desempenho logístico

Indicadores de desempenho logístico — os KPIs logísticos — são medidas que traduzem em número uma parte específica da operação: quanto a logística custou em relação ao que a empresa faturou, quantos pedidos saíram certos, se o estoque do sistema bate com o da prateleira, quantas entregas chegaram na data e completas. Servem para comparar períodos, rotas, transportadoras e regiões com o mesmo critério, e para transformar uma percepção ("a transportadora X anda atrasando") em uma afirmação verificável ("a transportadora X entregou 82% no prazo na rota Sul em agosto, contra 94% em julho").

Até aqui, nenhuma novidade. O ponto que costuma passar batido é este: **todo indicador é só uma conta**, e uma conta devolve exatamente a qualidade do que entra nela. Se a "data de entrega" que alimenta o OTIF é a que a transportadora digitou numa planilha semanas depois, ou se o "custo de frete" é o total da fatura sem que ninguém tenha conferido os CTes contra a tabela contratada, o resultado tem a aparência de um indicador e a confiabilidade de um palpite.

Essa checagem de fonte não pesa igual em todas as frentes. Nos indicadores de **pedido, estoque e documentos**, o dado nasce dentro da empresa — no ERP, no WMS, no inventário — e o risco é "ninguém confere": um problema de disciplina. Nos indicadores de **custo, prazo e avaria**, o dado nasce fora: quem emite o CTe, quem informa a data de entrega e quem relata a ocorrência é a transportadora, a mesma parte cujo desempenho está sendo medido. Aí o risco muda de natureza — não é falta de conferência, é dado de origem interessada. Por isso, [indicadores logísticos](https://blog.tecnovia.com.br/utilizando-indicadores-logisticos-para-melhorar-o-seu-processo-2) úteis têm duas partes, não uma: a fórmula, que é pública e igual para todo mundo, e a **fonte do dado**, que é onde cada operação se diferencia — para melhor ou para pior.

## Por que acompanhar indicadores de desempenho logístico

A lista de benefícios de acompanhar KPIs de logística é conhecida. O que vale a pena é ligá-los ao que muda no dia a dia de quem contrata transporte:

- **Saber onde o dinheiro vai, não só quanto.** "Sei quanto gastei no total, mas não onde" é a frase de quem só tem o valor da fatura. Custo logístico e custo de transporte abertos por rota, transportadora e tipo de produto respondem "qual região está mais cara?" na reunião — não uma semana de planilha depois.
- **Cobrar SLA com número, não com argumento.** A conversa com a transportadora muda de natureza quando o embarcador chega com "28 das 480 entregas da semana passada ficaram fora do prazo contratado, 16 delas na mesma rota" em vez de "a gente tem sentido muitos atrasos".
- **Não descobrir o pedido errado pela reclamação do cliente.** O destinatário comprou do embarcador, não da transportadora — na maioria dos casos nem sabe qual transportadora está com a carga. Quando o pedido chega trocado, incompleto ou atrasado, é para o embarcador que ele liga, sempre. Percentual de pedidos errados e OTIF alimentados com dado real permitem enxergar a falha enquanto ela ainda é uma falha, não uma reclamação.
- **Tirar a reunião de logística do achismo.** Quando o dado mora em PDF de fatura e em e-mail de ocorrência, a reunião vira troca de impressões. Indicador com fonte rastreável encerra o debate sobre o número e libera o tempo para o debate sobre o que fazer.

Há um indicador guarda-chuva que sintetiza boa parte disso — o [nível de serviço logístico](https://blog.tecnovia.com.br/nivel-de-servico-logistico-2), que mede o quanto a operação cumpre o que prometeu ao cliente. Os indicadores das próximas seções são, na prática, os componentes que sustentam esse nível de serviço em cada frente.

## Quantos indicadores acompanhar: o critério não é a quantidade

Quem pesquisa "indicadores de desempenho em logística" encontra listas de 5, 7, 8, 10, 12, 16 e 20 indicadores — quase nunca com uma explicação de por que aquele número e não outro. A divergência é sintoma: não existe quantidade certa, e escolher pelo tamanho da lista é começar pelo fim.

O critério que funciona é outro: **um indicador só merece entrar no painel se existe uma fonte de dado confiável por trás dele.** Se a operação não registra a data real de entrega, um OTIF no painel é decorativo — vai ser lido como fato numa reunião em que ninguém sabe dizer de onde ele veio. Se ninguém confere o CTe contra a tabela, o custo de transporte é o que a transportadora decidiu cobrar. Melhor três indicadores que a equipe consegue defender linha a linha do que doze que ninguém consegue reconstruir.

O painel completo de um embarcador tem quatro frentes — **custo, pedido, estoque e transporte** — e é assim que este artigo está organizado. A ordem em que cada frente entra no painel não depende de qual "parece" mais importante: depende de onde a operação já tem dado confiável. Uma empresa que já confere CTe a CTe começa por custo; uma que já captura a data real de entrega começa por transporte; quase todas já têm o dado de pedido e estoque no ERP e só precisam decidir conferi-lo. A lista cresce à medida que a captura amadurece — nessa ordem: primeiro a fonte, depois o indicador.

## Indicadores de custo logístico

É a frente que os textos sobre o tema tratam como detalhe e que, para quem contrata transporte, decide a margem. Dois indicadores bastam para começar — e o segundo é o que mais depende de dado que vem de fora.

### Custo logístico (% do faturamento)

Mede quanto a logística consome do que a empresa fatura. Entra tudo o que a operação gasta para colocar o produto na mão do cliente: frete, armazenagem, custo de manter estoque (capital parado, perdas, seguro), equipe e sistemas de logística.

**Fórmula:** custo logístico total do período ÷ faturamento do mesmo período × 100.

**Exemplo:** num trimestre com faturamento de R$ 20 milhões, a operação gastou R$ 1,1 milhão em frete, R$ 350 mil em armazenagem, R$ 150 mil em custo de estoque e R$ 100 mil em equipe e sistemas — R$ 1,7 milhão no total. Custo logístico = 1,7 ÷ 20 × 100 = **8,5% do faturamento**. É um número ilustrativo: o patamar certo para a sua operação depende de setor, canal e mix de produto, e o que interessa é a tendência contra o seu próprio histórico, não uma faixa genérica.

O valor do indicador não está no total — está na abertura. Os mesmos 8,5% podem esconder um frete que subiu 20% enquanto a armazenagem caiu, e a decisão que se toma é outra em cada caso. Por isso ele só faz sentido acompanhado do próximo.

### Custo de transporte como % das vendas

É o recorte do indicador anterior que isola só o frete — que costuma ser a maior fatia do custo logístico e é a única definida, linha a linha, por outra empresa.

**Fórmula:** custo total de frete do período ÷ faturamento (ou vendas) do mesmo período × 100.

**Exemplo:** com os mesmos R$ 1,1 milhão de frete sobre R$ 20 milhões faturados, custo de transporte = 1,1 ÷ 20 × 100 = **5,5% das vendas**. Aberto por origem/destino, o mesmo 5,5% costuma revelar uma região bem acima da média e outra bem abaixo — e é na primeira que a negociação da próxima tabela começa.

**De onde o dado precisa vir** — e é aqui que a maioria das operações erra sem saber. O "custo total de frete" que entra na fórmula passa por quatro registros antes de virar número:

1. O embarcador emite a **nota fiscal** — é o que ele sabe que enviou.
2. A transportadora emite o **CTe** para aquele transporte — é o que ela diz que fez e quanto cobra por isso.
3. A transportadora agrupa os CTes numa **fatura de frete** — é o que ela cobra de fato, em bloco.
4. A **tabela de frete contratada** é o que deveria ter sido cobrado.

Se o custo de transporte é a soma das faturas pagas, o indicador mede o que a transportadora cobrou — não o que a operação deveria ter custado. O custo confiável é o confronto entre o item 4 e os itens 2 e 3, **CTe a CTe**: o frete recalculado pela tabela contratada, comparado ao valor efetivamente cobrado, com as divergências separadas para revisão. Sem a tabela cadastrada de forma estruturada esse confronto é impossível; sem conferir cada CTe, o que a operação faz é pagar a fatura para liberar o caminhão e "ver isso depois". Numa operação com 1.240 CTes no mês, encontrar os 61 que cobraram acima da tabela não é trabalho para uma tarde de planilha — e é exatamente esse trabalho que separa um custo de transporte que a operação defende de um que a transportadora definiu. Quem quer entender a base do cálculo pode começar por [como calcular o frete corretamente](https://blog.tecnovia.com.br/descubra-como-calcular-o-frete-corretamente-2).

## Indicadores de pedido

Aqui o dado nasce dentro da empresa — no ERP e no WMS —, então a questão da fonte é de disciplina, não de origem. Três indicadores cobrem o que o cliente sente antes mesmo de a carga sair.

### Percentual de envio de pedidos errados

Mede a proporção de pedidos expedidos com algum erro que o cliente vai perceber ao receber: item trocado, quantidade diferente da pedida, endereço errado, produto de outro cliente na mesma embalagem.

**Fórmula:** pedidos enviados com erro ÷ total de pedidos enviados × 100.

**Exemplo:** de 3.200 pedidos expedidos no mês, 48 voltaram com registro de erro. Percentual de pedidos errados = 48 ÷ 3.200 × 100 = **1,5%**. Parece pouco até se lembrar de que cada um desses 48 gera um contato no atendimento, um frete de devolução e, com frequência, um novo frete de reenvio — três custos que não aparecem no custo de transporte porque ninguém os liga ao erro de origem.

**Onde o dado costuma falhar:** o pedido errado só vira registro se alguém o registra — e quase sempre é o cliente que avisa, dias depois. Sem um campo de motivo na devolução, a operação sabe que devolveu, não sabe por quê.

### Índice de atendimento de pedidos (fill rate)

Mede a proporção de pedidos atendidos integralmente na primeira expedição — sem item cortado por falta de estoque, sem entrega parcial "para completar depois".

**Fórmula:** pedidos atendidos integralmente ÷ total de pedidos solicitados × 100.

**Exemplo:** dos mesmos 3.200 pedidos do mês, 3.040 saíram completos; 160 tiveram pelo menos um item cortado por ruptura. Fill rate = 3.040 ÷ 3.200 × 100 = **95%**. Esses 160 pedidos são a ponte entre o estoque e o transporte: cada um vira uma entrega parcial que, lá na frente, derruba o OTIF — mesmo que a transportadora chegue na data.

### Índice de exatidão na emissão de documentos

Mede a proporção de documentos emitidos pela empresa sem erro — a nota fiscal, principalmente, mas também romaneio, etiqueta e instrução de entrega. Um erro de peso, valor ou endereço na NF não fica na NF: a transportadora emite o CTe a partir dela, e o erro viaja para o frete cobrado, para o prazo previsto e para a porta do cliente.

**Fórmula:** documentos emitidos sem erro ÷ total de documentos emitidos × 100.

**Exemplo:** de 3.400 notas fiscais emitidas no mês, 17 precisaram ser corrigidas ou canceladas e reemitidas antes da saída da carga, ou geraram divergência com a transportadora. Índice de exatidão = 3.383 ÷ 3.400 × 100 = **99,5%**. O número parece confortável; os 17 casos são o que interessa — cada um segurou uma carga no pátio ou virou uma discussão de CTe que a operação não tinha como ganhar, porque o erro era da própria nota.

Nenhum dos três indicadores de pedido depende da transportadora. Justamente por isso, são os primeiros que uma operação consegue tornar confiáveis — basta decidir registrar o motivo de cada devolução, corte e correção, em vez de resolver e seguir.

## Indicadores de estoque

Três indicadores de armazém completam o painel básico. Como nos de pedido, o dado nasce dentro da empresa — o que não significa que o número seja automaticamente confiável: ele só existe se a contagem acontece.

### Nível médio de estoque

Mede quanto capital fica parado em mercadoria ao longo do período. É a base de cálculo do giro e do custo de manter estoque que entrou no custo logístico lá em cima.

**Fórmula:** (estoque no início do período + estoque no final do período) ÷ 2. Em valor ou em unidades — em valor é o que conversa com o custo logístico. Operações com forte oscilação dentro do mês costumam preferir a média das posições diárias ou semanais, que não esconde o pico.

**Exemplo:** estoque de R$ 360 mil em 1º de agosto e R$ 440 mil em 31 de agosto. Nível médio = (360 + 440) ÷ 2 = **R$ 400 mil**.

### Acuracidade de estoque

Mede o quanto o saldo do sistema bate com o físico. É o indicador que decide se o fill rate lá de cima é real: um pedido que o sistema aceita porque "tem saldo" e a prateleira não tem vira corte na expedição ou, pior, entrega incompleta.

**Fórmula:** itens (ou posições) cuja contagem confere com o sistema ÷ itens contados × 100.

**Exemplo:** inventário rotativo de 1.000 SKUs, 962 batem. Acuracidade = 962 ÷ 1.000 × 100 = **96,2%**. Os 38 que não batem são exatamente os que geram pedido faturado sem produto na prateleira — e uma entrega incompleta que vai derrubar o OTIF lá na frente. Os [erros de controle de estoque que reduzem a lucratividade](https://blog.tecnovia.com.br/controle-de-estoque-fuja-de-erros-que-diminuem-sua-lucratividade-2-2) costumam começar aqui.

### Giro de estoque

Mede quantas vezes o estoque é renovado no período. Giro baixo é capital parado; giro alto demais pode ser ruptura à espreita — e ruptura é o fill rate caindo.

**Fórmula:** custo das mercadorias vendidas (CMV) no período ÷ estoque médio.

**Exemplo:** CMV de R$ 2,4 milhões no ano sobre um estoque médio anual de R$ 400 mil = **6 giros por ano**, ou um giro a cada dois meses. Um bom ponto de partida sobre o tema está em [controle de estoque: o que é e por que fazer](https://blog.tecnovia.com.br/controle-de-estoque-o-que-e-e-por-que-fazer).

**De onde o dado precisa vir, nos três:** contagem física periódica confrontada com o saldo do ERP — é ela que valida tanto a acuracidade quanto o saldo que entra no estoque médio e no giro. É dado interno — mas é dado que só existe se a contagem acontece.

## Indicadores de transporte e entrega

São os indicadores de logística para embarcador que mais dependem de dado que **não nasce dentro da empresa**: a entrega acontece nas mãos da transportadora, e o registro de quando e como ela aconteceu também. Aqui vai a visão rápida — definição, fórmula e um exemplo por indicador, todos sobre a mesma operação ilustrativa de **480 entregas programadas numa semana**, para que os números conversem entre si. O aprofundamento, com a origem do dado de cada um, está no guia linkado ao final da seção.

### OTIF (On Time In Full)

Mede a proporção de entregas que chegaram **no prazo contratado e completas** — quantidade certa, sem avaria, sem item faltando. Uma entrega que chegou na data com um volume a menos não conta; uma entrega completa que chegou um dia depois também não. A conta é por entrega, verificando as duas condições ao mesmo tempo — não é o percentual no prazo multiplicado pelo percentual completo, um erro comum que dá um número diferente do real.

**Fórmula:** entregas no prazo **e** completas ÷ total de entregas × 100.

**Exemplo:** das 480 entregas da semana, 431 chegaram na data e completas. OTIF = 431 ÷ 480 × 100 = **89,8%**.

O "prazo" tem de ser a tabela de prazos contratada por escrito com cada transportadora; a "data" tem de ser a data real de entrega, registrada no ato — não a informada depois, de memória. A diferença entre as duas é onde o indicador se perde, e é por isso que o [controle de ocorrências com a transportadora](https://blog.tecnovia.com.br/gestao-de-transportadoras-como-ter-controle-de-todas-ocorrencias) precisa estar estruturado.

### OTD — percentual de entregas no prazo

É a metade "prazo" do OTIF, isolada — também chamada de nível de serviço de entregas: quantas entregas chegaram na data, estivessem completas ou não. Vale acompanhar separado porque responde a uma pergunta diferente — o OTIF diz se o cliente recebeu o que esperava; o OTD diz se a transportadora está cumprindo o calendário.

**Fórmula:** entregas no prazo ÷ total de entregas × 100.

**Exemplo:** das mesmas 480 entregas, 452 chegaram na data. OTD = 452 ÷ 480 × 100 = **94,2%**. A diferença para o OTIF — 21 entregas por semana que chegam na data, mas erradas — é falha de separação, embalagem ou manuseio, não de prazo, e pede outra ação corretiva.

### Índice de avarias e extravios

Mede a proporção de entregas com dano à mercadoria ou com volume perdido no transporte. Impacta custo (reposição, devolução, novo frete), derruba o OTIF (avaria e extravio são entrega incompleta) e chega ao cliente final — que liga para o embarcador, não para a transportadora.

**Fórmula:** entregas com avaria ou extravio registrado ÷ total de entregas × 100.

**Exemplo:** das 480 entregas da semana, 4 tiveram avaria e 2 tiveram extravio registrados. Índice de avarias e extravios = 6 ÷ 480 × 100 = **1,25%**. Aberto por transportadora, o mesmo 1,25% costuma esconder uma com 0,3% e outra com 4%.

O dado só é confiável se a ocorrência for registrada no ato da entrega, com foto — não relatada depois. As [tecnologias de monitoramento do transporte da carga](https://blog.tecnovia.com.br/tecnologias-para-monitoramento-de-transporte-de-cargas-2) existem para trazer esse registro da rua para dentro da empresa.

### Lead time do pedido

O [lead time do pedido](https://blog.tecnovia.com.br/lead-time-do-pedido-calcule-e-melhore-o-seu-desempenho-2) mede o tempo total entre o pedido do cliente e a entrega — separação, faturamento, coleta e transporte. Enquanto o OTIF olha o resultado contra o prometido, o lead time olha a duração absoluta, e é ele que mostra onde o tempo está sendo gasto.

**Fórmula:** data de entrega − data do pedido, em dias, na média do período (ou por faixa, o que costuma ser mais útil).

**Exemplo:** num período em que a média é de 4,2 dias, 2,5 dias são internos (do pedido à saída da carga) e 1,7 é transporte — o gargalo não é a transportadora. A data do pedido e a de faturamento vêm do ERP; a ponta final, de novo, depende de uma data que vem da rua.

Esses quatro são a visão de painel. OTIF, OTD, avarias e o tempo de ciclo do pedido têm aprofundamento próprio — com fórmula, exemplo e de onde o dado de cada um precisa vir — no [guia de indicadores de transporte para o embarcador](https://blog.tecnovia.com.br/indicadores-de-transportes-2).

## Como calcular indicadores de desempenho logístico com dado em que você confia

Todo texto sobre como calcular indicadores de desempenho logístico entrega a fórmula. O que falta é o passo anterior: **por onde cada número passa antes de chegar à fórmula**. Para custo, esse caminho já foi escrito por extenso na seção de custo de transporte — NF, CTe, fatura e tabela de frete contratada, confrontados CTe a CTe. Para prazo e performance, o caminho é este:

1. A **tabela de prazos contratada** define a data prevista de entrega de cada nota fiscal, por origem/destino e por transportadora. Sem tabela não há "on time": há opinião sobre o que seria razoável.
2. A **data real de entrega** chega de fora — da transportadora, que a informa de forma estruturada, ou diretamente do motorista, no ato da entrega.
3. O confronto entre as duas gera o status de cada entrega (no prazo ou atrasada) e, agregado, o **OTD**; com a completude conferida contra a nota fiscal, o **OTIF**.

Repare no que os dois caminhos — custo e prazo — têm em comum: em cada um, **um dos insumos vem da transportadora** (CTe, fatura, data real). É por isso que calcular o indicador numa planilha, cruzando dado avulso que chegou por e-mail, gera exatamente a desconfiança da abertura deste artigo. A planilha não está errada — ela só não tem como saber se a data que recebeu é a data real, nem se o valor do CTe respeita a tabela. Quem já tentou fechar um OTIF mensal assim conhece a sensação: o número muda a cada vez que alguém encontra um e-mail que faltava.

Dado em que se confia é dado que **entrou por um caminho estruturado** — tabela cadastrada, CTe recebido e comparado, data de entrega registrada na fonte — e não dado que foi colado numa célula. É exatamente esse cruzamento — tabela de frete de um lado, CTe e fatura do outro; tabela de prazos de um lado, data real de entrega do outro — que separa um indicador que a operação consegue defender de um número que existe só até alguém perguntar de onde ele veio.

Na prática, dá para montar esse cruzamento à mão, toda vez — ou deixar que ele aconteça sozinho a cada CTe recebido e a cada entrega confirmada. A seção seguinte mostra os dois caminhos.

## Como implementar o acompanhamento sem depender de planilha manual

Implementar indicadores de desempenho na logística não começa pelo dashboard. Começa por garantir que cada insumo dos caminhos acima exista de forma estruturada. Em ordem prática:

1. **Formalize as tabelas.** Tabela de frete e tabela de prazos, por transportadora e por origem/destino, cadastradas — não em PDF de contrato guardado na pasta do financeiro. Sem isso, nem custo nem prazo têm referência contra a qual medir.
2. **Receba e confira o CTe, não só a fatura.** A fatura é o agregado; a divergência está no CTe. Conferir CTe a CTe manualmente é inviável quando se tem milhares por mês — é o ponto em que a operação precisa de um sistema que recalcule o frete pela tabela contratada, confronte com o que foi cobrado nos CTes e nas faturas e aponte as divergências para revisão.
3. **Capture a data real de entrega na fonte.** Ou a transportadora envia as datas reais de forma estruturada — e a apuração de OTIF depende disso; é uma precondição, não um detalhe — ou o embarcador captura direto do motorista, com aplicativo que registra a baixa, a ocorrência e a foto no momento da entrega. Sem uma das duas, o indicador de prazo fica preso ao relato.
4. **Registre o motivo, não só o evento.** Devolução, corte de item, correção de nota: cada um com um campo de motivo preenchido na hora. É o que transforma os indicadores de pedido e estoque de "quantos" em "por quê" — e é dado que já está dentro da empresa; só falta a disciplina de gravar.
5. **Consolide em um lugar só.** Notas, CTes, faturas, prazos e entregas reais no mesmo dashboard, com recorte por período, origem/destino, transportadora e tipo de produto. É o que permite responder "qual transportadora cumpre prazo em qual rota?" e "qual região está mais cara?" na reunião, não uma semana depois dela.
6. **Revise a lista de indicadores conforme a captura amadurece.** Comece pelos que têm fonte confiável hoje; adicione os outros quando a fonte existir. É o critério de "quantos acompanhar", aplicado no tempo.

É esse o caminho que o **Gestor Logístico**, TMS da Tecnovia para embarcadores, instrumenta nas frentes de custo de frete e de transporte: auditoria de fretes e faturas (o frete recalculado pela tabela contratada, confrontado com CTes e faturas, com as divergências identificadas para revisão), controle de prazos e performance (data prevista pela tabela de prazos, entregas no prazo vs. atrasadas, OTIF apurado quando a transportadora envia as datas reais) e relatórios de gestão em dashboards interativos, com recorte por período, origem/destino, transportadora e tipo de produto — mais, como complemento, o aplicativo do motorista, que captura a baixa, a ocorrência e a foto direto da fonte. O que muda é que o custo de frete e o prazo deixam de ser uma planilha que ninguém defende e viram um número que a operação consegue reconstruir linha a linha.

Se a [logística é um dos pilares](https://blog.tecnovia.com.br/por-que-a-logistica-deve-ser-um-dos-pilares-para-seu-e-commerce-2) do seu negócio, o primeiro passo para [melhorar o processo de logística](https://blog.tecnovia.com.br/conheca-5-dicas-valiosas-para-melhorar-seu-processo-de-logistica-2) não é medir mais coisas — é confiar no que já mede.

> **Você acabou de ver, indicador por indicador, de onde cada número deste artigo precisa vir para ser confiável. Peça uma demonstração do Gestor Logístico e veja como ele faz esse confronto — CTe e fatura contra a tabela de frete contratada, tabela de prazos contra a data real de entrega — sem planilha no meio, com o OTIF apurado quando a transportadora envia as datas reais.**

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