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OTIF é a sigla para On Time In Full — o indicador que mede se uma entrega chegou dentro do prazo combinado (on time) e com a quantidade e a qualidade certas (in full). As duas condições precisam ser verdadeiras ao mesmo tempo: uma entrega que chega completa, mas três dias atrasada, não é OTIF. Uma entrega pontual, mas com um item faltando, também não é.

Se você chegou até aqui porque uma meta de OTIF caiu na sua mesa — ou porque alguém acima pediu para você explicar o indicador — a resposta direta é essa. O que a maioria dos materiais sobre o assunto não conta é de onde vem, na prática, o dado que alimenta esse número. E é aí que a maioria dos embarcadores descobre que está reportando um índice em que não confia.

Como o OTIF é calculado (na prática, sem enrolação)

A fórmula é simples de enunciar:

OTIF = % de entregas On Time × % de entregas In Full

Ou seja: dentro do total de entregas de um período, você calcula qual porcentagem chegou no prazo (On Time) e qual porcentagem chegou completa e íntegra (In Full), e multiplica os dois percentuais. O resultado é o seu índice de OTIF.

Não vamos repetir aqui o passo a passo de planilha, colunas e fórmulas — isso já está detalhado, com exemplo numérico completo, em como montar seu controle de OTIF no Excel. Este post fica na definição e no que ela esconde.

OTIF x OTD: qual a diferença?

OTD (On Time Delivery) mede só o prazo: a entrega chegou na data combinada, sim ou não. OTIF vai além — soma o prazo à integridade da carga. Por isso um bom OTD não garante um bom OTIF: uma transportadora pode ter 96% de pontualidade e ainda assim entregar com avarias, faltas ou trocas de item com frequência suficiente para derrubar o OTIF para 80%. Se o seu painel só acompanha OTD, você está vendo metade do problema.

Qual é um bom índice de OTIF?

Não existe um número único válido para toda operação — a faixa considerada boa depende do tipo de carga e da malha, e vale desconfiar de quem promete um percentual mágico para qualquer setor. Como referência no mercado brasileiro: distribuição regional ou carga dedicada costuma trabalhar entre 90% e 95%; operações B2B de carga fracionada e longa distância, mais complexas, consideram 80% a 88% um bom patamar; e a última milha de e-commerce, pressionada pela expectativa do consumidor final, mira acima de 92%. Acima de 95% é excelência operacional em praticamente qualquer cenário. Mais do que o número absoluto, o que acende o alerta é a tendência: OTIF caindo mês a mês, ou muito diferente entre transportadoras na mesma rota, é o sinal que precisa virar ação — não o benchmark genérico do setor.

O problema que a fórmula não mostra: de onde vem o dado de "on time" e "in full"

Aqui está o ponto que a definição, sozinha, não deixa ver: OTIF não é um número que o embarcador calcula sozinho.

O "on time" só existe se houver uma tabela de prazos contratada com a transportadora — um prazo prometido, registrado, contra o qual dá para comparar a entrega real. Sem esse SLA formalizado, não existe "atraso": existe só a impressão de que demorou.

O "in full" é ainda mais escorregadio. A nota fiscal diz o que deveria sair do estoque. O CTe e a baixa de entrega dizem o que realmente chegou ao destino. É no cruzamento entre esses dois documentos — NF de um lado, CTe e evento de entrega do outro — que avarias, faltas de item e entregas parciais aparecem. Se ninguém cruza esses dados sistematicamente, a divergência simplesmente não é vista.

Na prática, isso significa que o seu OTIF real só existe se a transportadora reportar a entrega — o prazo em que chegou, o estado em que chegou, se chegou completa. E a transportadora não tem um incentivo forte para reportar isso rápido, nem com precisão: quem recebe a ligação do cliente reclamando do atraso não é ela, é você. O embarcador carrega a cobrança de um serviço que não executa e, com frequência, só descobre que algo deu errado quando o cliente liga perguntando cadê a entrega — não porque a transportadora avisou antes.

Como ter um OTIF em que você confia (sem depender só da transportadora)

A saída não é insistir mais com a transportadora para que ela mande a planilha de prazos mais rápido. É deixar de depender exclusivamente do reporte dela para saber o que aconteceu na ponta.

É exatamente esse o papel do Módulo de controle de prazos e performance do Gestor Logístico: a tabela de prazos contratada com cada transportadora já fica cadastrada no sistema, então o "on time" é calculado automaticamente, nota a nota, contra o prazo combinado — sem depender de alguém consultar o contrato manualmente. E, para o "in full", o dado de entrega real pode vir direto da ponta, inclusive via aplicativo do motorista: baixa da entrega, ocorrência e foto do canhoto são registrados no momento em que acontecem, em vez de esperar a transportadora consolidar e enviar uma planilha no fim do mês. Menos elo dependendo da boa vontade de terceiro, mais dado nascendo na hora do evento.

Conclusão

OTIF é o cruzamento entre prazo e integridade da entrega — On Time In Full — e um bom índice, no Brasil, fica entre 90% e 95%. Mas a fórmula só é confiável se o dado que a alimenta também for: tabela de prazos formalizada de um lado, cruzamento real entre NF, CTe e baixa de entrega do outro. Sem isso, você não está calculando OTIF — está reportando o que a transportadora quis contar.

Qual é o dado que sustenta o OTIF que você reporta hoje: a tabela de prazos formalizada e o cruzamento real entre NF, CTe e entrega — ou a palavra da transportadora? O Módulo de controle de prazos e performance do Gestor Logístico cadastra a tabela de prazos de cada transportadora e calcula o "on time" automaticamente, nota a nota; e capta o "in full" direto na ponta — inclusive via aplicativo do motorista — sem esperar o reporte de terceiro. Peça uma demonstração e veja o OTIF calculado com dado de entrega real, não com o que a transportadora quis contar.