Logística na pandemia: o que é preciso saber sobre o tema?
OTD, sigla de On Time Delivery, é o indicador logístico que responde a uma pergunta direta: a entrega chegou na data prometida ao cliente? Não é gíria de rede social, nem o "preço final" de um carro nos Estados Unidos — na operação de transporte, OTD é a medida mais básica de pontualidade que existe, calculada a partir da própria base de entregas do embarcador.
O problema é que "chegou no prazo" e "chegou certo" são coisas diferentes — e é exatamente aí que esse indicador, sozinho, começa a contar só metade da história. Neste post: o que é OTD, como calcular a fórmula com um exemplo numérico, a diferença real para OTIF e para DIFOT, um benchmark de mercado, e por que medir só prazo pode estar escondendo o mesmo tipo de falha que gera a ligação do seu cliente reclamando.
O que é OTD (On Time Delivery)?
OTD (On Time Delivery) é o percentual de entregas que chegaram até a data prometida ao cliente, dentro de um determinado período. É o indicador mais elementar de performance de transporte: mede pontualidade — nada além disso.
Quem calcula o OTD é o embarcador, a partir da data real de entrega — confirmada no canhoto, no aplicativo do motorista ou no evento de entrega registrado a partir do CT-e — e não a partir do que a transportadora relata por telefone ou e-mail. A distinção parece de detalhe, mas é a raiz de uma queixa comum entre gestores de logística: "a transportadora me diz que está tudo no prazo, mas eu não tenho como conferir." Se a fonte do dado de OTD é a palavra da transportadora, o indicador mede a palavra dela — não necessariamente a realidade da entrega. Volto a esse ponto no fechamento, porque é onde a métrica mais falha.
Como calcular o OTD (fórmula)
A fórmula do OTD é simples:
OTD = (entregas realizadas no prazo ÷ total de entregas) × 100
Exemplo prático: em um mês com 1.000 entregas, 940 chegaram até a data prometida ao cliente. OTD = 940 ÷ 1.000 × 100 = 94%.
O detalhe que muda o resultado é a fonte da data "no prazo". Prazo prometido é a data acordada com o cliente final (ou o limite definido pela tabela de prazos contratada com a transportadora); prazo cumprido é a data de entrega confirmada — não a data que a transportadora informa informalmente, por fora do processo. Operações que calculam OTD a partir do relato da transportadora, em vez do dado real do evento de entrega, tendem a enxergar um número mais bonito do que a operação de fato entrega — o que também vale para quem organiza esse cálculo em planilha: veja por que a planilha trava esse controle e o que fazer diferente.
OTD x OTIF: qual a diferença?
OTD mede uma única coisa: prazo. OTIF (On Time In Full) mede duas: prazo e completude — a entrega chegou na data certa e com a quantidade certa, sem avaria, sem item faltando.
A diferença parece sutil até você aplicar às próprias entregas. Pegue este exemplo: uma nota fiscal de 50 itens chega no endereço certo, na data prometida, mas com 3 itens faltando. Para o OTD, essa entrega é um sucesso — chegou no prazo, ponto final. Para o OTIF, é uma falha, porque o pedido não chegou completo. Se sua operação mede só OTD, esse tipo de erro nunca aparece no indicador — ele só aparece quando o cliente final liga reclamando, porque quem recebe a mercadoria incompleta liga para quem vendeu, não para a transportadora que entregou.
É por isso que times de logística que reportam só OTD costumam sentir um descompasso estranho: o número "parece bom" no relatório, mas as reclamações continuam chegando. Para entender o indicador mais completo — o que ele mede, como se calcula e que benchmark perseguir — vale a leitura de o que é OTIF na logística, e, para aprofundar ainda mais a diferenciação entre os dois indicadores, este outro conteúdo sobre OTIF.
OTD é o mesmo que DIFOT?
Não exatamente. DIFOT (Delivery In Full, On Time) é um nome mais comum em operações de supply chain internacional, mas conceitualmente ele é primo do OTIF, não do OTD puro: também mede prazo e integridade da entrega (quantidade certa, sem avaria), só que com a ordem das palavras invertida. Quem usa DIFOT está medindo a mesma coisa que OTIF — não a mesma coisa que OTD isolado.
Qual é um bom benchmark de OTD?
Não existe um número universal — o patamar varia por setor, tipo de carga e malha de distribuição. Como referência de mercado, a faixa de 90% a 95% costuma ser tratada como um bom nível de pontualidade em operações de distribuição regional ou carga dedicada no Brasil — a mesma faixa usada como referência para OTIF nesse segmento, para manter os dois indicadores comparáveis. Operações de carga fracionada e longa distância, mais complexas, costumam trabalhar com um patamar mais baixo, entre 80% e 88%, e a última milha de e-commerce mira acima de 92% — a mesma segmentação usada no conteúdo-irmão sobre OTIF, para não tratar como "ruim" uma operação que, dentro do seu segmento, está dentro do esperado.
Abaixo desse patamar, vale investigar rota a rota e transportadora a transportadora onde está o gargalo. E vale qualificar: um OTD de 95% numa malha metropolitana concentrada não é comparável a um OTD de 95% numa operação com entregas em áreas rurais ou de difícil acesso — o benchmark é ponto de partida para calibrar o próprio índice, não meta genérica. Para uma leitura complementar sobre indicadores de desempenho em logística, vale a reportagem da Mundo Logística sobre indicadores de desempenho.
Por que medir só o prazo não é suficiente
Um OTD de 94% parece uma boa notícia — até você cruzar com quantas dessas entregas "no prazo" chegaram incompletas, avariadas ou com o item errado. É exatamente o tipo de falha que o OTD, sozinho, não enxerga: ela só aparece quando o cliente final liga reclamando, porque quem recebe a mercadoria errada liga para quem vendeu — nunca para a transportadora que entregou.
É por isso que muitos gestores de logística têm meta de OTIF (ou acompanham OTD isoladamente) mas não confiam totalmente no próprio número: se o dado nasce do que a transportadora informa, em vez de nascer do evento real de entrega, ele está sujeito ao mesmo problema da dor original — "a transportadora me diz que está tudo no prazo, mas eu não tenho como conferir."
Se sua operação ainda descobre atraso — ou entrega incompleta — pelo telefonema do cliente reclamando, vale ver como o Módulo de controle de prazos e performance do Gestor Logístico consolida indicadores a partir do dado real da entrega, e não do que a transportadora informa.
Quer prazo confiável — não só relatado?
O Gestor Logístico consolida os indicadores de prazo e performance a partir do dado real de entrega, não do que a transportadora informa por fora do processo. Assim você para de descobrir atraso — ou entrega incompleta — pelo telefonema do cliente, e passa a enxergar o problema antes dele virar reclamação.
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