A logística de varejo é o mecanismo que garante que os produtos certos cheguem ao lugar certo, na quantidade certa e pelo custo justo — do centro de distribuição até a prateleira. Parece simples até a prateleira ficar vazia e o cliente da loja reclamar antes de qualquer relatório interno apontar o atraso. Nesse setor, há diferentes tipos de logística, que variam de acordo com as atividades exercidas pelo empreendimento.
De modo geral, a logística aplicada ao varejo possibilita que os consumidores tenham acesso aos produtos que desejam adquirir — fator que influencia diretamente na experiência de compra e, consequentemente, no modo como o cliente percebe e se relaciona com a marca. Numa rede com vários CDs e lojas, porém, essa entrega depende de uma malha de transportadoras que nem sempre está sob controle — e é aí que a conta começa a fechar errado sem que ninguém perceba a tempo.
Quer entender as principais frentes da logística de varejo e onde, na prática, o dinheiro e o prazo costumam vazar? Confira a seguir.
O que é logística de varejo
A logística de varejo é o conjunto de atividades que leva o produto do centro de distribuição (CD) até a prateleira da loja — ou até a casa do consumidor, no caso do e-commerce — na quantidade certa, no prazo certo e pelo custo adequado. Ela usa as mesmas disciplinas de qualquer cadeia logística (armazenagem, transporte, estoque), mas com uma pressão que a distingue da logística industrial: prateleira vazia é venda perdida imediata, não um número que se ajusta no próximo ciclo de produção.
É essa pressão que torna a logística para empresas de varejo mais sensível a falhas de coordenação entre elos — em especial no transporte entre CD e loja, onde entram várias transportadoras, formatos de fatura diferentes e um indicador que poucas redes acompanham de perto: o OTIF.
Armazenagem
Trata-se da área que busca um melhor aproveitamento do espaço destinado para manter e conservar os produtos no estoque. Para tanto, é preciso efetuar estudos sobre a localização, dimensão física e a possibilidade da climatização do local.
Uma das decisões desse tipo de logística é a escolha do lugar apropriado para instalar o Centro de Distribuição (CD), levando em consideração as rotas de saída, tributação e proximidade do público-alvo. Além disso, aqui também é feito recebimento, separação de pedidos, bem como a conferência das mercadorias, expedição e emissão dos documentos relacionados ao transporte e entrega.
Embalagem
Do local de saída até a casa do cliente, o produto percorre um longo caminho, sendo necessário que esteja embalado de forma adequada para que seja entregue sem danos. Nesse sentido, o departamento de embalagens zela pela conservação das mercadorias transportadas.
Ao negociar com os fornecedores, o gestor da área deve sempre priorizar a qualidade e não somente o custo das embalagens. Ainda há que se fazer uma análise para saber quais são as caixas mais adequadas para o tipo de produtos comercializado e se é preciso utilizar itens que aumentem a segurança do objeto, como plástico bolha.
Estoque
O objetivo da logística de estoque é organizar os produtos e mantê-los em quantidade adequada para suprir a demandas dos clientes. As atividades diárias incluem controlar os pedidos e elaborar relatórios de compra e venda.
As rotinas do estoque interferem nos resultados de compra e venda, haja vista que permitem que haja um equilíbrio entre a procura e aquisição de novos lotes, comparado ao volume de itens que ainda estão disponíveis. Esse processo requer análises mais complexas, como o levantamento da previsão de demanda e a checagem da curva ABC, que classifica todos os produtos do estoque.
Manutenção de informação
É o ramo que se responsabiliza pelas informações sobre o custo e desempenho da companhia, com o intuito de viabilizar as operações diárias. Os profissionais dessa área fazem o levantamento dos custos exigidos para o funcionamento do negócio e a análise de dados operacionais consolidados. Esses dados ajudam no planejamento de estratégias que mantenham a lucratividade da empresa e o diferencial competitivo.
Processamento de pedidos
Uma entrega atrasada causa a frustração e insatisfação do cliente. Por isso, é necessário ter um controle rígido desde a confirmação do pedido para que a entrega aconteça de forma rápida e segura. É exatamente essa a missão do setor de processamento de pedidos, que agiliza os processos para que o pedido seja liberado e entregue o mais breve possível.
Transporte
Após o pedido ser processado, entra em cena a logística de transporte, que realiza a movimentação de mercadorias de varejo entre o CD e o ponto de venda. Numa loja isolada, esse elo é simples: um fornecedor, uma rota, uma transportadora. Numa rede — o cenário mais comum entre médios e grandes varejistas — é outra operação inteiramente.
O transporte entre CD e loja multiplica a complexidade fiscal
Cada CD costuma ser atendido por várias transportadoras, e cada transportadora atende várias lojas — o resultado não é um fornecedor, é uma malha. Uma rede hipotética com 20 lojas atendidas por 6 transportadoras diferentes, por exemplo, pode chegar a até 120 combinações distintas de rota e formato de fatura/CT-e (o produto entre lojas e transportadoras, no limite), cada uma com sua própria lógica de cobrança (exemplo ilustrativo, não um caso real de cliente). Quanto maior a rede, maior a chance de duas transportadoras cobrarem de forma diferente pelo mesmo tipo de trecho — e ninguém perceber, porque a conferência acontece por amostragem, não CT-e a CT-e.
Conferir fatura por CD e por loja, não só no agregado
Cada transportadora manda fatura num formato diferente — e quando a rede tem múltiplos CDs e lojas, esse ruído se multiplica por unidade. É comum o gestor pagar a fatura porque precisa liberar o próximo caminhão e "ver isso depois" — só que "depois" quase nunca chega, e divergências pequenas por CT-e viram um rombo relevante ao longo do mês, sem que ninguém tenha feito a conta.
Conferir fatura por CD e por loja, e não só no agregado da rede, é o que separa uma operação que sabe quanto está pagando de uma que só descobre no fechamento do mês que pagou a mais. É exatamente o problema que a auditoria de frete ataca: reconciliar cada fatura contra o CT-e correspondente, unidade por unidade, antes de aprovar o pagamento.
Quantas dessas combinações de CD e transportadora a sua rede confere de verdade, fatura a fatura — e quantas você só olha no agregado, torcendo para o total estar certo? É essa lacuna que o Módulo de Auditoria de Fretes e Faturas do Gestor Logístico fecha: reconciliação automática de cada fatura contra o CT-e correspondente, por CD e por loja, antes do pagamento.
Ruptura de prateleira é OTIF: descobrir o atraso antes do cliente, não depois
Na indústria, o sintoma clássico de falha de SLA é "descobri que atrasou quando o cliente ligou reclamando". No varejo, a versão é outra, mas a lógica é idêntica: a prateleira fica vazia, o consumidor final não encontra o produto e é a rede — nunca a transportadora — quem carrega a reclamação, mesmo quando o atraso não foi culpa dela. O consumidor não sabe, e não precisa saber, quem fez o transporte até a loja.
É esse o papel do OTIF aplicado ao varejo: um indicador que aponta a ruptura de prateleira antes que ela apareça como reclamação do cliente na loja, cruzando prazo e quantidade entregue por CD e por loja — não só a média da rede.
Cada área da logística de varejo tem responsabilidades diferentes, mas estão interligadas — o desempenho de uma afeta as demais, e a saúde da cadeia como um todo depende da soma delas. Armazenagem, embalagem, estoque, manutenção de informação e processamento de pedidos dependem majoritariamente de processo interno bem desenhado. O transporte entre CD e loja é a exceção: ali, o controle depende também de quem está do lado de fora da rede — as transportadoras contratadas — e é onde fatura mal conferida e ruptura descoberta tarde custam mais caro.
Numa rede com múltiplos CDs e lojas, fatura não conferida e ruptura descoberta tarde são os dois jeitos mais silenciosos de perder margem e prateleira. Numa demonstração do Gestor Logístico, mostramos o Módulo de Auditoria de Fretes e Faturas reconciliando cada fatura contra o CT-e por CD e por loja — e o Módulo OTIF apontando a ruptura antes que ela vire reclamação na loja, não depois.
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